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ENTREVISTA COM ALAN RAPP, O DIRETOR DO PÂNICO NA BAND

GRANDE PARTE DO NOSSO SUCESSO É POR FALARMOS A MESMA LINGUAGEM DO POVO BRASILEIRO” ENTREVISTA COM ALAN RAPP, O DIRETOR DO PÂNICO NA BAND

Panico

TOPO, PORQUE NÃO? VAMO CAIR PRA DENTRO!

Foi com a mesma convicção de um dos bordões mais antológicos do “Pânico” que Allan Rapp, generosamente topou dar uma entrevista para este pequeno blog.  Após enviarmos uma mensagem com menos de 180 caracteres que despertou o interesse de Allan, algumas DM’s foram trocadas e em poucos dias o diretor do humorístico de maior repercussão na TV brasileira, topava ser sabatinado pelo “O Meme é a Mensagem”. E também por nossos amigos tuiteiros. Sim, por nossos amigos tuiteiros, pois não me parecia legal devolver a generosidade de Alan perguntando somente o que me interessaria para o cara. Então, estendemos a entrevista aos nossos seguidores no Twitter e aos nossos quatrocentos curtidores doFacebook. O curioso é que alguns dias após do anúncio da entrevista, estes quatrocentos curtidores foram decuplicados.  Sim. Decuplicados. Eu também não conhecia este termo até me deparar com o popular “toque de Midas” a respeito de TUDO que se relaciona à turma do Pânico. De quatrocentos curtidores no Facebook nossa conta acabou obtendo dez vezes mais do que o saldo inicial. A resposta muito provavelmente está nesta aura de histeria, popularidade e de audiência em TUDO que acompanha a equipe do programa há quase uma década. Enquanto a crise da TV aberta extinguia programas humorísticos que eram referência pela boa audiência como “Show do Tom”, “Os Caras de Pau”, “Comédia MTV” e “A Turma Do Didi” a equipe do “Pânico” seguia firme e forte, nestes tantos anos de carreira televisiva. Para ser mais exato, dez anos, já que em setembro, completará uma década que a equipe do “Pânico” emplaca bordões na cultura brasileira. Qual o segredo desta “fórmula” que se mantém com tanta popularidade dez anos depois de sua criação? Como tentar fazer rir em um atual mercado televisivo completamente minguado de humor? O curioso é que talvez este ambicionado “elixir da longa vida” do programa, esteja intimamente relacionado a estes 180 caracteres que compuseram minhas mensagens direcionadas ao diretor. Cada vez mais a equipe do “Pânico” parece colher bons resultados com suas pautas construídas em torno dos assuntos que estão “bombando” nas redes sociais. No último domingo, por exemplo, o “Pânico na Band” ficou quinze minutos na liderança da audiência. E foi o programa mais popular do Twitter no domingo, entrando inclusive, para o TOP 5 dos mais repercutidos da segunda-feira. Tudo, por conta de uma afiada pauta, trabalhada em cima de tendências. O vilão de novela que é  nas redes sociais, Félix, foi assunto nos inserts do “Pânico” deste domingo por conta de uma matéria que exibiu a história de Ronny: o assessor de Sabrina Sato que revelou sua homossexualidade ao seu pai. Outros destaques do humorístico foram uma paródia do quadro global “Vai Fazer O Quê?” (tal quadro vem sendo um dos momentos de maior audiência e repercussão do “Fantástico”) e a polêmica invasão ao programa que é sensação das redes sociais, o reality show “A Fazenda”. A equipe do programa tentou fazer nada mais, nada menos, o que praticamente todo Brasil queria fazer: avisar a isolada participante Scheila Carvalho para ela maneirar nos beijos enviados ao maridão, já que o comportamento do cara não havia sido dos mais leais aqui fora. Talvez a longevidade do programa esteja mesma atrelada a esta vocação da equipe do “Pânico” em descobrir tantas vezes o que o brasileiro quer ou nas próprias palavras do diretor: “Acredito que grande parte do nosso sucesso seja falar a mesma linguagem que o povo brasileiro fala“.
Confira a seguir a entrevista com Allan Rapp:
Panico

O MEME É A MENSAGEM – Enquanto vocês estavam na Rede TV cogitava-se a ideia do programa “Pânico” ser maior do que o próprio canal. A verdade é que a partir da saída de vocês da emissora, o canal nunca mais alcançou bons números de audiência. Há poucas semanas foi divulgado, inclusive, que a emissora estaria sondando ex-integrantes do programa para tentar montar um novo “Pânico”. Com toda esta crise financeira envolvendo a Rede TV, o que você acha que poderia ser feito para que a emissora consiga sair da atual situação?
ALLAN RAPP - A Rede TV tem um potencial incrível, tecnologicamente falando, mas infelizmente todo esse avanço esbarra na falta de profissionalismo interno, que acaba fazendo com que a emissora obtenha um dos piores resultados em audiência e êxito comercial. Acredito que se as metas internas fossem outras, se o foco interno mudasse de direção, se os recursos obtidos fossem investidos a favor da própria e se a emissora tentasse buscar um profissionalismo de verdade, seria bem melhor, seria um grande passo para sair dessa crise, quase fatal.
O MEME É A MENSAGEM - As seguintes perguntas foram feitas pelos tuiteiros @josipeace, @oChanFerreira e @RafaBitencourt.
@JosiPeace: “A Inês Brasil tem chances como Panicat?”
ALLAN RAPP - Huahauahuahauha…claro que… NÃO!
@oChanFerreira: Qual a sensação quando o programa atinge o primeiro lugar?
ALLAN RAPP - O “Pânico” sempre sai em último lugar quando o programa se inicia (dos canais que têm chance de competir pelo primeiro lugar), saímos em quarto lugar. Muitas vezes quando o “Pânico” começa, o “Fantástico” esta com dezenove, vinte pontos, o “Domingo Espetacular” com quinze, dezesseis pontos e o Sílvio Santos com nove, dez pontos. Nós começamos o Pânico com um, dois, três e às vezes com quatro pontos. É uma batalha dura, porque até “embalar” demora um pouco, mas depois que o programa “embala” eles não nos seguram, estamos há quase quatro meses chegando em primeiro lugar, então imagina você, qual seria a sensação de você largar numa corrida bem atrás de todos os seus concorrentes reais e antes do término dessa corrida você conseguir ultrapassar todos eles e virar líder? Essa sensação é indescritível, só quem vivencia isso sabe como é bom!
 @RafaBitencourt: “Quais foram as dificuldades na transição da “RedeTV” para a BAND?
 As dificuldades foram sendo superadas e em pouco tempo tanto o “Pânico” quanto a BAND conseguiram sincronizar as engrenagens para que o esquema de trabalho pudesse fluir da forma mais simples possível. É óbvio que houve dificuldade, nos adaptamos e hoje essas dificuldades praticamente foram anuladas. Caímos de supetão quatro meses depois do início do ano, ou seja, todo o calendário interno da emissora já estava pronto e de repente, PUMBA…cai o “Pânico” no quintal deles. Foi uma correria, mas tudo deu certo!
 O MEME É A MENSAGEM - Ao sair da antiga emissora correu pela mídia a informação que vocês trabalhariam na BAND com o dobro do antigo orçamento. Passado mais de um ano desde que a equipe está na nova casa, qual seria então a principal diferença no atual produto que vocês entregam todo domingo? A audiência e a repercussão do programa cresceram?
ALLAN RAPP: O “Pânico” progrediu muito, tecnicamente falando, a qualidade do som está muito melhor, e a qualidade da imagem também está bem melhor do que antes. Nossas matérias hoje são mais complexas, a maioria das nossas externas sai com mais de uma câmera, isso te possibilita captar imagens diferentes simultaneamente falando, o que deixa seu conteúdo com mais opções de imagem editada. Como a BAND tem uma abrangência muito maior, a nossa repercussão também é maior, nossos integrantes são conhecidos em quase todos os pontos do país, nossos bordões e vinhetas também caem na boca do povo, isso reflete a grande repercussão que o programa alcança.
Com relação à audiência, a TV aberta vem passando uma fase turbulenta, pouco tempo atrás ter TV a cabo era “coisa de rico”, hoje em dia isto mudou, o acesso aos canais fechados está muito maior, hoje em dia um em cada quatro telespectadores assiste TV fechada, ou DVD. Temos também [a questão dos] jogos de videogames. E por incrível que pareça a própria TV fechada ou TV por assinatura, também esta enfrentando novos rivais, como é o caso da Netflix, que vende filmes e séries via streaming e você só paga a mensalidade. Fora tudo isso, tem também a internet com o Youtube e Facebook que buscam desesperadamente a atenção das pessoas que estão em casa na frente do computador ou mesmo da antiga e boa televisão, seja com canais de vídeos pagos/assinados ou então pela Apple Amazon que vendem filmes pela internet. Isto fragmenta a audiência como um todo, fica mais complicado prender a atenção do telespectador. Isto é um fenômeno mundial, não acontece somente aqui no Brasil.
O MEME É A MENSAGEM – Atualmente o programa produz conteúdo para o rádio e para a TV. Com a crise de audiência que vive a TV aberta e o filão de investimentos envolvendo a TV paga, as comédias no cinema e a internet, é possível pensar em novas mídias para a turma do “Pânico”?
ALLAN RAPP: Eu acredito que sim, mas no momento o nosso foco é o programa da TV e o da rádio, mas sem dúvida o Tutinha [apelido pelo qual é conhecido o empresário Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, criador do “Pânico” e presidente da Rádio “Jovem Pan”] e o Emílio Surita não irão ficar de fora desse novo mercado que está se abrindo.
sato

O MEME É A MENSAGEMSabrina Sato é a integrante do programa com mais seguidores no Twitter além de ser (segundo informações recentes do colunista Flávio Ricco) a figura mais comercial de toda a BAND. Recentemente a participação de Sabrina foi ampliada nas edições do programa em função de outros nomes. Como é administrar as participações de cada integrante no programa? Qual é o segredo do atual sucesso de Sabrina Sato?
ALLAN RAPP: A Sabrina sempre foi a nossa “curinga”, ela sempre consegue se moldar e se adaptar ao tema que será abordado, então isso naturalmente a deixa em vantagem, isso sem contar o carisma que ela possui, isso é indiscutível, ela consegue fazer você falar o que ela quiser com aquele jeito dela. É a nossa japonesa DE OURO! Com relação aos meninos do elenco, é tranquilo, tem fase que um brilha mais que o outro, daí se trabalha mais, mas é um ciclo, todos acabam passando por ele.
O MEME É A MENSAGEM- A próxima pergunta é do tuiteiro @FacJurys.
@FacJurys:  “Por conta de uma piada, o humorista Rafinha Bastos ficou afastado por dois anos da BAND. Como é a questão da liberdade de expressão dos humoristas do Pânico? Existe algum limite com o que se pode brincar?”
ALLAN RAPP: É claro que questões políticas são mais complicadas, isso em toda televisão existe, mas fora isso não existe nenhuma restrição ao que costumamos fazer.
O MEME É A MENSAGEM- O jornalista Augusto Nunes, que em breve irá retomar a comando do jornalístico“Roda Viva” disse que o programa “precisa fazer perguntas como as que são feitas atualmente em alguns programas de humor”. O que você acha que ele quis dizer com isso?
ALLAN RAPP: Acho que ele estava se referindo ao fato de que deveria existir mais naturalidade nas perguntas que envolvem temas mais constrangedores. Muitas vezes os programas ficam “pisando em ovos” ao abordarem alguns temas e isso acaba transformando num “bicho de sete cabeças”. Para nós não, isso vem com naturalidade.
 8- O MEME É A MENSAGEM - As próximas questões são do tuiteiro @LuaanPires.
@LuaanPires: “Como é dirigir um programa de humor na época do politicamente correto? O Pânico exerce uma escolha deliberada em não ir por esse caminho ou você crê que este é o único modo de se fazer humor? Vocês acreditam que talvez o tipo de humor de vocês, às vezes, reforçam estereótipos e estimulam preconceitos?”
ALLAN RAPP: É normal, porque nós nunca nos preocupamos muito em ser politicamente corretos. O que seria reforçar estereótipos? Ter meninas bonitas dançando de maiô ou biquíni? Isto existe faz muito tempo, porém nós fomos os primeiros a realmente entregar o microfone para as nossas mulheres do programa, isso sem dúvida aumenta a participação delas e também a repercussão de tudo o que fazemos. É claro que com a visibilidade que o programa possui, essas participações delas chamam maior atenção, dai alguns “caem em cima”. Estimular preconceito? Não acredito nisso também, os anões sempre sofreram discriminação e nós damos emprego e os inserimos no nosso mundo e também no mundo real, pergunte a eles.
O MEME É A MENSAGEMA próxima pergunta é de Flávio Ferrari, ex-presidente do Ibope e sócio-criador da empresa Qual Canal:
FLÁVIO FERRARI - “Considerando esta consistente repercussão do programa no Twitter gostaria de saber se você segue uma estratégia desenvolvida a partir de alguma experiência adquirida ou se continua agindo intuitivamente”
ALLAN RAPP: A estratégia que seguimos vem de certa experiência adquirida sim, depois de anos no “Pânico” descobrimos os melhores caminhos para fazer a nossa “rota” no domingo a noite, é claro que os concorrentes mudam, sofremos um tempo até reformularmos nosso mapa de voo, mas depois conseguimos voar alto da mesma forma que eles voam, mesmo saindo em piores condições de voo do que eles (concorrentes). A intuição também está presente, podemos dizer que é uma mescla entre experiência e intuição.
O MEME É A MENSAGEM – A equipe do “Pânico” está há uma década na televisão brasileira e a conta doTwitter do programa é uma das dez mais seguidas no Brasil. Qual é o segredo da longevidade e de tanta popularidade?
ALLAN RAPP:  Na verdade o “Pânico” irá completar uma década agora dia 28 de setembro, queremos comemorar estes dez anos de televisão com uma MEGA FESTA! Afinal, não é fácil conseguir se manter no ar tanto tempo, enfrentamos inúmeras dificuldades no começo e ainda hoje sofrendo com concorrentes por todo os lados, sejam eles vindos da televisão, internet, videogames etc.
Acredito que grande parte do nosso sucesso seja falar a mesma linguagem que o povo brasileiro fala, o telespectador do “Pânico” se identifica com a gente, o público caminha com a gente, acompanha os nossos passos, vibra com a gente, chora com a gente… se revolta com o programa, se emociona com o programa. Nosso público, sem dúvida, vive o programa. Isto te leva bem próximo ao povo e é para o povo que o “Pânico” é feito! Obrigado povo brasileiro, nós do “Pânico” sempre falamos isso: sem vocês de casa, nós do “Pânico” não seriamos nada, nada , nada , naaadaaaaaa…
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ENTREVISTA COM ALAN RAPP, O DIRETOR DO PÂNICO NA BAND

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Panico

TOPO, PORQUE NÃO? VAMO CAIR PRA DENTRO!

Foi com a mesma convicção de um dos bordões mais antológicos do “Pânico” que Allan Rapp, generosamente topou dar uma entrevista para este pequeno blog.  Após enviarmos uma mensagem com menos de 180 caracteres que despertou o interesse de Allan, algumas DM’s foram trocadas e em poucos dias o diretor do humorístico de maior repercussão na TV brasileira, topava ser sabatinado pelo “O Meme é a Mensagem”. E também por nossos amigos tuiteiros. Sim, por nossos amigos tuiteiros, pois não me parecia legal devolver a generosidade de Alan perguntando somente o que me interessaria para o cara. Então, estendemos a entrevista aos nossos seguidores no Twitter e aos nossos quatrocentos curtidores doFacebook. O curioso é que alguns dias após do anúncio da entrevista, estes quatrocentos curtidores foram decuplicados.  Sim. Decuplicados. Eu também não conhecia este termo até me deparar com o popular “toque de Midas” a respeito de TUDO que se relaciona à turma do Pânico. De quatrocentos curtidores no Facebook nossa conta acabou obtendo dez vezes mais do que o saldo inicial. A resposta muito provavelmente está nesta aura de histeria, popularidade e de audiência em TUDO que acompanha a equipe do programa há quase uma década. Enquanto a crise da TV aberta extinguia programas humorísticos que eram referência pela boa audiência como “Show do Tom”, “Os Caras de Pau”, “Comédia MTV” e “A Turma Do Didi” a equipe do “Pânico” seguia firme e forte, nestes tantos anos de carreira televisiva. Para ser mais exato, dez anos, já que em setembro, completará uma década que a equipe do “Pânico” emplaca bordões na cultura brasileira. Qual o segredo desta “fórmula” que se mantém com tanta popularidade dez anos depois de sua criação? Como tentar fazer rir em um atual mercado televisivo completamente minguado de humor? O curioso é que talvez este ambicionado “elixir da longa vida” do programa, esteja intimamente relacionado a estes 180 caracteres que compuseram minhas mensagens direcionadas ao diretor. Cada vez mais a equipe do “Pânico” parece colher bons resultados com suas pautas construídas em torno dos assuntos que estão “bombando” nas redes sociais. No último domingo, por exemplo, o “Pânico na Band” ficou quinze minutos na liderança da audiência. E foi o programa mais popular do Twitter no domingo, entrando inclusive, para o TOP 5 dos mais repercutidos da segunda-feira. Tudo, por conta de uma afiada pauta, trabalhada em cima de tendências. O vilão de novela que é  nas redes sociais, Félix, foi assunto nos inserts do “Pânico” deste domingo por conta de uma matéria que exibiu a história de Ronny: o assessor de Sabrina Sato que revelou sua homossexualidade ao seu pai. Outros destaques do humorístico foram uma paródia do quadro global “Vai Fazer O Quê?” (tal quadro vem sendo um dos momentos de maior audiência e repercussão do “Fantástico”) e a polêmica invasão ao programa que é sensação das redes sociais, o reality show “A Fazenda”. A equipe do programa tentou fazer nada mais, nada menos, o que praticamente todo Brasil queria fazer: avisar a isolada participante Scheila Carvalho para ela maneirar nos beijos enviados ao maridão, já que o comportamento do cara não havia sido dos mais leais aqui fora. Talvez a longevidade do programa esteja mesma atrelada a esta vocação da equipe do “Pânico” em descobrir tantas vezes o que o brasileiro quer ou nas próprias palavras do diretor: “Acredito que grande parte do nosso sucesso seja falar a mesma linguagem que o povo brasileiro fala“.
Confira a seguir a entrevista com Allan Rapp:
Panico

O MEME É A MENSAGEM – Enquanto vocês estavam na Rede TV cogitava-se a ideia do programa “Pânico” ser maior do que o próprio canal. A verdade é que a partir da saída de vocês da emissora, o canal nunca mais alcançou bons números de audiência. Há poucas semanas foi divulgado, inclusive, que a emissora estaria sondando ex-integrantes do programa para tentar montar um novo “Pânico”. Com toda esta crise financeira envolvendo a Rede TV, o que você acha que poderia ser feito para que a emissora consiga sair da atual situação?
ALLAN RAPP - A Rede TV tem um potencial incrível, tecnologicamente falando, mas infelizmente todo esse avanço esbarra na falta de profissionalismo interno, que acaba fazendo com que a emissora obtenha um dos piores resultados em audiência e êxito comercial. Acredito que se as metas internas fossem outras, se o foco interno mudasse de direção, se os recursos obtidos fossem investidos a favor da própria e se a emissora tentasse buscar um profissionalismo de verdade, seria bem melhor, seria um grande passo para sair dessa crise, quase fatal.
O MEME É A MENSAGEM - As seguintes perguntas foram feitas pelos tuiteiros @josipeace, @oChanFerreira e @RafaBitencourt.
@JosiPeace: “A Inês Brasil tem chances como Panicat?”
ALLAN RAPP - Huahauahuahauha…claro que… NÃO!
@oChanFerreira: Qual a sensação quando o programa atinge o primeiro lugar?
ALLAN RAPP - O “Pânico” sempre sai em último lugar quando o programa se inicia (dos canais que têm chance de competir pelo primeiro lugar), saímos em quarto lugar. Muitas vezes quando o “Pânico” começa, o “Fantástico” esta com dezenove, vinte pontos, o “Domingo Espetacular” com quinze, dezesseis pontos e o Sílvio Santos com nove, dez pontos. Nós começamos o Pânico com um, dois, três e às vezes com quatro pontos. É uma batalha dura, porque até “embalar” demora um pouco, mas depois que o programa “embala” eles não nos seguram, estamos há quase quatro meses chegando em primeiro lugar, então imagina você, qual seria a sensação de você largar numa corrida bem atrás de todos os seus concorrentes reais e antes do término dessa corrida você conseguir ultrapassar todos eles e virar líder? Essa sensação é indescritível, só quem vivencia isso sabe como é bom!
 @RafaBitencourt: “Quais foram as dificuldades na transição da “RedeTV” para a BAND?
 As dificuldades foram sendo superadas e em pouco tempo tanto o “Pânico” quanto a BAND conseguiram sincronizar as engrenagens para que o esquema de trabalho pudesse fluir da forma mais simples possível. É óbvio que houve dificuldade, nos adaptamos e hoje essas dificuldades praticamente foram anuladas. Caímos de supetão quatro meses depois do início do ano, ou seja, todo o calendário interno da emissora já estava pronto e de repente, PUMBA…cai o “Pânico” no quintal deles. Foi uma correria, mas tudo deu certo!
 O MEME É A MENSAGEM - Ao sair da antiga emissora correu pela mídia a informação que vocês trabalhariam na BAND com o dobro do antigo orçamento. Passado mais de um ano desde que a equipe está na nova casa, qual seria então a principal diferença no atual produto que vocês entregam todo domingo? A audiência e a repercussão do programa cresceram?
ALLAN RAPP: O “Pânico” progrediu muito, tecnicamente falando, a qualidade do som está muito melhor, e a qualidade da imagem também está bem melhor do que antes. Nossas matérias hoje são mais complexas, a maioria das nossas externas sai com mais de uma câmera, isso te possibilita captar imagens diferentes simultaneamente falando, o que deixa seu conteúdo com mais opções de imagem editada. Como a BAND tem uma abrangência muito maior, a nossa repercussão também é maior, nossos integrantes são conhecidos em quase todos os pontos do país, nossos bordões e vinhetas também caem na boca do povo, isso reflete a grande repercussão que o programa alcança.
Com relação à audiência, a TV aberta vem passando uma fase turbulenta, pouco tempo atrás ter TV a cabo era “coisa de rico”, hoje em dia isto mudou, o acesso aos canais fechados está muito maior, hoje em dia um em cada quatro telespectadores assiste TV fechada, ou DVD. Temos também [a questão dos] jogos de videogames. E por incrível que pareça a própria TV fechada ou TV por assinatura, também esta enfrentando novos rivais, como é o caso da Netflix, que vende filmes e séries via streaming e você só paga a mensalidade. Fora tudo isso, tem também a internet com o Youtube e Facebook que buscam desesperadamente a atenção das pessoas que estão em casa na frente do computador ou mesmo da antiga e boa televisão, seja com canais de vídeos pagos/assinados ou então pela Apple Amazon que vendem filmes pela internet. Isto fragmenta a audiência como um todo, fica mais complicado prender a atenção do telespectador. Isto é um fenômeno mundial, não acontece somente aqui no Brasil.
O MEME É A MENSAGEM – Atualmente o programa produz conteúdo para o rádio e para a TV. Com a crise de audiência que vive a TV aberta e o filão de investimentos envolvendo a TV paga, as comédias no cinema e a internet, é possível pensar em novas mídias para a turma do “Pânico”?
ALLAN RAPP: Eu acredito que sim, mas no momento o nosso foco é o programa da TV e o da rádio, mas sem dúvida o Tutinha [apelido pelo qual é conhecido o empresário Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, criador do “Pânico” e presidente da Rádio “Jovem Pan”] e o Emílio Surita não irão ficar de fora desse novo mercado que está se abrindo.
sato

O MEME É A MENSAGEMSabrina Sato é a integrante do programa com mais seguidores no Twitter além de ser (segundo informações recentes do colunista Flávio Ricco) a figura mais comercial de toda a BAND. Recentemente a participação de Sabrina foi ampliada nas edições do programa em função de outros nomes. Como é administrar as participações de cada integrante no programa? Qual é o segredo do atual sucesso de Sabrina Sato?
ALLAN RAPP: A Sabrina sempre foi a nossa “curinga”, ela sempre consegue se moldar e se adaptar ao tema que será abordado, então isso naturalmente a deixa em vantagem, isso sem contar o carisma que ela possui, isso é indiscutível, ela consegue fazer você falar o que ela quiser com aquele jeito dela. É a nossa japonesa DE OURO! Com relação aos meninos do elenco, é tranquilo, tem fase que um brilha mais que o outro, daí se trabalha mais, mas é um ciclo, todos acabam passando por ele.
O MEME É A MENSAGEM- A próxima pergunta é do tuiteiro @FacJurys.
@FacJurys:  “Por conta de uma piada, o humorista Rafinha Bastos ficou afastado por dois anos da BAND. Como é a questão da liberdade de expressão dos humoristas do Pânico? Existe algum limite com o que se pode brincar?”
ALLAN RAPP: É claro que questões políticas são mais complicadas, isso em toda televisão existe, mas fora isso não existe nenhuma restrição ao que costumamos fazer.
O MEME É A MENSAGEM- O jornalista Augusto Nunes, que em breve irá retomar a comando do jornalístico“Roda Viva” disse que o programa “precisa fazer perguntas como as que são feitas atualmente em alguns programas de humor”. O que você acha que ele quis dizer com isso?
ALLAN RAPP: Acho que ele estava se referindo ao fato de que deveria existir mais naturalidade nas perguntas que envolvem temas mais constrangedores. Muitas vezes os programas ficam “pisando em ovos” ao abordarem alguns temas e isso acaba transformando num “bicho de sete cabeças”. Para nós não, isso vem com naturalidade.
 8- O MEME É A MENSAGEM - As próximas questões são do tuiteiro @LuaanPires.
@LuaanPires: “Como é dirigir um programa de humor na época do politicamente correto? O Pânico exerce uma escolha deliberada em não ir por esse caminho ou você crê que este é o único modo de se fazer humor? Vocês acreditam que talvez o tipo de humor de vocês, às vezes, reforçam estereótipos e estimulam preconceitos?”
ALLAN RAPP: É normal, porque nós nunca nos preocupamos muito em ser politicamente corretos. O que seria reforçar estereótipos? Ter meninas bonitas dançando de maiô ou biquíni? Isto existe faz muito tempo, porém nós fomos os primeiros a realmente entregar o microfone para as nossas mulheres do programa, isso sem dúvida aumenta a participação delas e também a repercussão de tudo o que fazemos. É claro que com a visibilidade que o programa possui, essas participações delas chamam maior atenção, dai alguns “caem em cima”. Estimular preconceito? Não acredito nisso também, os anões sempre sofreram discriminação e nós damos emprego e os inserimos no nosso mundo e também no mundo real, pergunte a eles.
O MEME É A MENSAGEMA próxima pergunta é de Flávio Ferrari, ex-presidente do Ibope e sócio-criador da empresa Qual Canal:
FLÁVIO FERRARI - “Considerando esta consistente repercussão do programa no Twitter gostaria de saber se você segue uma estratégia desenvolvida a partir de alguma experiência adquirida ou se continua agindo intuitivamente”
ALLAN RAPP: A estratégia que seguimos vem de certa experiência adquirida sim, depois de anos no “Pânico” descobrimos os melhores caminhos para fazer a nossa “rota” no domingo a noite, é claro que os concorrentes mudam, sofremos um tempo até reformularmos nosso mapa de voo, mas depois conseguimos voar alto da mesma forma que eles voam, mesmo saindo em piores condições de voo do que eles (concorrentes). A intuição também está presente, podemos dizer que é uma mescla entre experiência e intuição.
O MEME É A MENSAGEM – A equipe do “Pânico” está há uma década na televisão brasileira e a conta doTwitter do programa é uma das dez mais seguidas no Brasil. Qual é o segredo da longevidade e de tanta popularidade?
ALLAN RAPP:  Na verdade o “Pânico” irá completar uma década agora dia 28 de setembro, queremos comemorar estes dez anos de televisão com uma MEGA FESTA! Afinal, não é fácil conseguir se manter no ar tanto tempo, enfrentamos inúmeras dificuldades no começo e ainda hoje sofrendo com concorrentes por todo os lados, sejam eles vindos da televisão, internet, videogames etc.
Acredito que grande parte do nosso sucesso seja falar a mesma linguagem que o povo brasileiro fala, o telespectador do “Pânico” se identifica com a gente, o público caminha com a gente, acompanha os nossos passos, vibra com a gente, chora com a gente… se revolta com o programa, se emociona com o programa. Nosso público, sem dúvida, vive o programa. Isto te leva bem próximo ao povo e é para o povo que o “Pânico” é feito! Obrigado povo brasileiro, nós do “Pânico” sempre falamos isso: sem vocês de casa, nós do “Pânico” não seriamos nada, nada , nada , naaadaaaaaa…
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Revista TPM - Luana Piovani entrevista


Revista TPM - Edição 128

















 


A atriz fala da trava em se despir no cinema, das imperfeições que vieram com a maternidade e da hipocrisia do Brasil

Tpm. Você nunca ficou nua em cena? Luana Piovani. Não. Tem uma história: o Jorge Furtado me chamou para fazer Saneamento Básico e o roteiro tinha um nu frontal. Falei: “Jorge, aquela cena é com sombra, mentirinha, né?”. Ele: “Não, é frontal mesmo. É o namorado filmando ela”. Não fiz. Quando saiu o filme e vi que não tinha nu frontal da Camila Pitanga, quase morri! Deixei de fazer por causa dessa besteira... Mas não consegui dizer: “Sim, vou fazer nu frontal”.
Por quê? Não sei explicar. Faço foto nua, mas vídeo não consigo. Tenho uma relação segura com foto desde que comecei, aos 14. A foto eterniza, mas é só uma imagem. Mas em movimento é outra coisa... Sou virginiana, quero ter controle sobre as coisas. E sobre a imagem em movimento não tenho.
É uma barreira que você quer vencer? Se um dia for chamada para um trabalho em que a cena seja importante para a história, e não só para “dar um up”, vou trabalhar a questão. Como nunca aconteceu... Aliás, aconteceu, mas o projeto não se realizou. A Norma Bengell me convidou para interpretá-la em um filme sobre a vida dela. Teria que refazer a cena de nu de Os cafajestes.
Você quase fez, então? Isso foi há muitos anos. Nunca sou chamada para fazer coisas como [o filme] Amarelo manga. Ninguém me chama pra coisa cabeça, que combina com nudez. E nunca tive a oportunidade de ter uma personagem que transpusesse a minha imagem. Sempre “a Luana Piovani nua”.
Como foi fazer o primeiro nu, aos 20 anos? Ótimo! Cresci admirando Herb Ritts, Irving Penn, fotógrafos que fazem coisas incríveis que não estamos acostumados a ver no Brasil. Vi isso na Trip, eu tinha a chance de não colocar o dedinho na boca fazendo “I’m too sexy” e, sim, brincar de estar surfando, abraçando cachorrinhos. É sexy sem ser óbvio.
E como foi o último, aos 35? A sensaçãofoi diferente? Diferente e ao mesmo tempo parecida. Eu estava grávida, aquilo é meu ouro. Sou exigente. Na Trip sei que vou aprovar as fotos e ninguém vai me sacanear. Estou acostumada a ser mal interpretada: dou entrevista e neguinho dá o significado que quer.
Se pudesse ter esse controle, faria Playboy? Ou é a ideia do nu frontal que complica? Na hora que fizer frontal, eu dei tudo. Só abriria por um excelente motivo, leia-se um filme como Amarelo manga ou uma mansão no Jardim Pernambuco [metro quadrado mais caro do Rio de Janeiro].
É dinheiro, então? Certamente. Mas tem que ser muito dinheiro, tem que mudar a vida.
Você se sente poderosa quando se vê em um ensaio nu? Me sinto poderosa quando vejo a Trip, porque só as boas são escolhidas. E coisas que incomodam peço para corrigir. Mas tem muita coisa em que não deixo mexer. Fiz uma revista recentemente e uma foto voltou três vezes. Falei: “Essa cintura não é minha”. Tinha tido filho há seis meses, tinham acinturado e chapoletado a barriga. Não posso ficar fingindo que tenho 17 anos, todo mundo sabe que tenho 36, caceta!
E a maternidade muda o corpo, né? Estou na análise digerindo isso. Não me sinto tão bem com minha nudez. Eu tinha um peito muito bonito e ele mudou. Amamentei. Olho pro espelho e não me reconheço, dá uma caída. Fico pensando em botar silicone.
Por que no Brasil é um tabu topless na praia? Citando José Simão, porque o Brasil é o país da piada pronta! Nosso país é hipócrita, retrógrado e machista. Na terra do Carnaval, a mulher ser presa por fazer topless?
Você já fez? Fiz em um lago na Suíça, com gente que tem uma relação diferente com a nudez. Mas foi estranho, deu vontade de pôr a mão nos peitos! Hoje não tenho chance de fazer topless. E o medo de um desgraçado tirar foto e publicar? Às vezes o marido quer animar e falo: “Amor, não tenho condições!”. Pensa: a Cicarelli estava no mar.
Nudez no Brasil é sinônimo de sexo? Sim, é sempre a coisa do “vem me comer, eu quero dar”. Que é a coisa do Carnaval, do “gostosa!”, da sexualidade. As pessoas não têm uma relação tranquila com nudez. Fico chocada de ver meninas de 2 anos de idade usando a parte de cima do biquíni. Já é um incentivo de que “isso não pode mostrar, é pecado, proibido”. Ela não tem seios, não tem sexualidade, por que esconder? É cultural.
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Morena da vida real - Salve Jorge


Extraído do G1 - ES





Mulher que inspirou Morena de 'Salve 





Jorge' conta o drama no exterior



Ana Lúcia Furtado foi traficada para Israel, onde trabalhou como prostituta.
Personagem inspirou Glória Perez a escrever personagem de Nanda Costa.

Henrique Porto e Marcelo AhmedDo G1 Rio
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Ana Lúcia e Nanda Costa (Foto: Marcelo Ahmed/G1 e Divulgação/Rede Globo)Ana Lúcia é a personagem da vida real que é interpretada na novela por Nanda Costa
(Foto: Marcelo Ahmed/G1 e Divulgação/Rede Globo)
Ana Lúcia Furtado era empregada doméstica e sustentava três filhos quando, aos 24 anos, recebeu uma proposta para o que sonhava ser um futuro melhor: trabalhar como garçonete em Israel. Mas acabou virando prostituta numa boate e serviu de inspiração para a autora Glória Perez moldar a personagem Morena, a protagonista interpretada por Nanda Costa na novela “Salve Jorge”.
Pela primeira vez após seu resgate, ocorrido em 1998, Ana Lúcia se prontificou em contar todo o seu drama em entrevista ao G1 (assista no vídeo acima). Vítima do tráfico de mulheres, tema abordado na trama da TV Globo, ela relata como foram os três meses em que ficou em poder da quadrilha e a morte de sua prima, Kelly Fernanda Martins, com quem viajou para Israel e inspiradora da personagem Jéssica, de Carolina Dieckmann.
O relato de Ana Lúcia é muitas vezes mais dramático do que a ficção vivida por Nanda Costa. Ela diz que o contato com Glória Perez é frequente e que muitas vezes reconhece, entre os diálogos da novela, uma frase que contou para a escritora.
G1 — O que você fazia antes de tudo isso acontecer?
Ana Lúcia  Antes de receber o convite pra ir pra Israel eu tinha três filhos: minha filha de 1 ano e pouco, um filho de 7 e outro de 10. E trabalhava de empregada doméstica. Criava meus filhos com a ajuda da minha mãe. Eu era muito próxima a Kelly, que era prima minha de segundo grau. A gente era amiga, ia para a balada juntas e foi quando, em uma dessas saídas, a gente conheceu a Rosana, em um pagode em Madureira. Ficamos amigas, ela saía com a gente, frequentava a nossa casa. Foi quando ela fez a proposta pra gente.
Não desconfiamos de nada porque é tudo muito verdadeiro"
Ana Lúcia
G1 — Como foi a proposta?
Ela falou: viajei [para Israel], cheguei agora, eu comprei essa casa, uma belíssima casa, comprei carro. Estou cheia de dinheiro. Lá fora está dando dinheiro legal. “E o que você faz lá fora”, perguntei. “Ah, a gente trabalha em lanchonete, pizzaria, e ganha US$ 1,5 mil por mês”. Poxa, você estava vivendo uma situação difícil, com três filhos pra criar, sozinha, morando na casa da sua mãe. Precisando tanto eu quanto a Kelly, que tinha dois filhos, morava com a mãe também. A gente querendo ter a própria independência, casa e dar futuro melhor pros filhos. Chega alguém dizendo que viajou, ganha US$ 1,5 mil por mês, e é fácil assim. E as pessoas oferecem passagem, tiram seu passaporte e tudo. E a gente se interessou, né?! Foi quando ela ligou pra essa pessoa em Israel, que no caso era a Célia, aí ela entrou em contato com a gente e falou que mandava uma passagem pra gente pra trabalhar em uma lanchonete lá em Tel Aviv.
G1 — Vocês só falavam com a Rosana?
Ana Lúcia  Só depois de um tempo a gente passou a falar com a Célia, daqui do Brasil. Ela disse que tinha várias lanchonetes, que era brasileira e que havia várias meninas trabalhando, que dava um dinheiro legal. Aí a gente ficou radiante, ficou feliz, achando: a gente vai pra lá, fica seis meses e quando voltar compra a nossa casa. Esse era o nosso sonho. Tanto que teve mais meninas interessadas também, inclusive duas meninas que conheceram através da gente e foram na nossa frente.
G1 — Vocês em nenhum momento desconfiaram de nada?
Ana Lúcia  Não, não desconfiamos de nada porque é tudo muito verdadeiro o que a Rosana apresentava pra gente aqui no Brasil. Vinha na nossa casa, sentava, almoçava. E a mãe dela também falava que aquilo era tudo verdade, que ela ia pra lá, trabalhava de garçonete lá e voltava com dinheiro. Já tinha comprado casa, carro e estava dando pra sobreviver, estava com uma vida bem melhor. E a gente frequentava a casa dela. E acreditou, né? Foi quando começaram a agir, tiraram o passaporte, tiraram passagem, compramos roupa. E a Rosana ainda falava pra gente: “Lá é um lugar em que vocês não podem andar com roupa muito pelada. Tem que levar umas roupas cobrindo o corpo”. E a gente, inocente, levava.
Ana Lúcia tira foto de celular ao lado de Nanda Costa, quando ela foi ao Projac (Foto: Reprodução de arquivo pessoal)Ana Lúcia tira foto de celular com Nanda Costa, Paloma Bernardi (à esquerda) e Larissa Dias (última à direita), quando foi ao Projac (Foto: Reprodução de arquivo pessoal)
G1 — E vocês não tiveram mais notícia das duas que foram antes?
Ana Lúcia  Não tivemos mais contato com elas, porque elas foram em uma semana e nós fomos em outra. Porque não podiam ir quatro de uma vez, tinha que ir de duas em duas pra poder passar na fronteira de lá. Isso era o que a Rosana falava pra gente. Então foram essas duas meninas. E depois fomos eu e Kelly, garimpando de país em país. Passamos por Espanha, Alemanha e depois França. Quando chegamos na França tinha dois israelenses da máfia nos esperando. Quando chegamos, dormimos no hotel do aeroporto da França. Eles levaram a gente pra jantar, passeamos, conhecemos algumas coisas lá em Paris. E depois, no outro dia, fomos pra Tel Aviv. Mas quando chegamos na França, eles já pegaram nosso passaporte e passagem, e disseram: “Tem que ficar com a gente pra passar na fronteira de Israel”. Quando chegamos em Tel Aviv, já tinha mais duas pessoas esperando a gente com carro.
G1 — Em Tel Aviv vocês foram levadas para onde?
Ana Lúcia
  Eu e Kelly fomos numa boa, entramos no carro. Quando nós chegamos em Tel Aviv, primeiro eles foram pra boate onde ia ficar a Kelly, que era a Playboy. Quando chegamos lá na porta, a Kelly era mais desaforada, mais agitada, mais brigona, tipo o que a Carolina está fazendo no papel, e falou: “Ana Lúcia, que lugar estranho, pra trabalhar. Uma casa velha, que lugar feio”. O rapaz disse assim: “Entra”. Nós entramos e quando chegamos na sala, havia um sofá, onde estavam muitas meninas, todas brasileiras, com roupas íntimas, sutiã e um shortinho íntimo que se usa por baixo da roupa. Entre as meninas sentadas ali tinha uma que tinha ido na nossa frente. E a Kelly falou assim: “Gente, que lugar é esse?”. Aí a Rita falou assim: “Psiu, não fala nada, depois eu te falo”. A Kelly falou: “Eu não vou ficar aqui, não. Ana Lúcia, a gente não vai ficar aqui. A gente vai embora. Você me trouxe pra me prostituir? Pra me prostituir eu me prostituía no meu país”. Ela era mais desaforada. Eu fiquei morrendo de medo. Porque aí essa menina disse pra gente: “Olha só, não faz escândalo e faz o que eles querem, porque aqui é isso que vocês estão vendo”. Aí um dos rapazes que foi buscar a gente em Paris falou: “Você vai ficar aqui, pra Kelly, e você vem comigo, pra mim”. Aí eu fui, estava morrendo de medo. Aí eu fui pra Eliá (boate).
G1 — Como foi nesse local?
Ana Lúcia — 
Quando cheguei encontrei a outra menina, que foi na minha frente. Aí ela me pegou na cozinha e me disse o que era. Aí já dava pra ver os quartos, a sala onde as meninas ficavam sentadas e a recepção com a gerente. Aí me explicaram: “Ana Lúcia, hoje mesmo você começa a trabalhar”. A Célia me levou pra um quarto pra trocar de roupa e conversou comigo. Eu era mais medrosa. A Kelly era mais brigona, tinha mais atitude. Eu falei que tinha que falar com minha família, porque já fazia três dias que eu não falava com minha família. Aí ela falou que à noite deixava falar com a minha família. Aí eu fui pro salão junto com as outras meninas, muitas meninas brasileiras. O tráfico de mulheres pra lá é mais de brasileiras. Você só vê brasileira. Mas realmente existem muitas meninas trabalhando em lanchonetes.
G1 — E não era pra se prostituir?
Ana Lúcia
 — Não, era só para trabalhar mesmo.
G1 — E você em algum momento chegou a dizer: “Não, eu não quero fazer”?
Ana Lúcia
  Chegamos. Todo mundo chega falando isso.
G1 — E aí?
Ana Lúcia
 — Eles dizem: “Não, agora você vai ter que pagar o que me deve”. “E quanto eu lhe devo”. “Você me deve R$ 1,5 mil de passagem, R$ 1 mil pra entrar no país, cabelo, roupa, você me deve muita coisa. Quando você me pagar tudo o que me deve, eu te mando de volta pro teu país”. Mentira, né?! Porque você nunca consegue pagar a dívida com eles. Porque a dívida sempre está aumenta cada vez mais. E a gente quase não comia. A gente comia quando fugia, normalmente na sexta-feira.
G1 — Pra onde?
Ana Lúcia
  Pra lanchonete que era na beira da praia.
G1 — E vocês não procuraram a polícia?
Ana Lúcia
 — Não, porque a gente fugia, mas eles sabiam onde a gente estava. Por isso a Kelly foi morta. Os seguranças seguiam a gente.
G1 — E eles ameaçavam?
Ana Lúcia
 — Ameaçavam. Diziam que se a gente saísse de lá, do lucro que estava dando pra eles, eles vinham para o Brasil matar nossa família, matar nossos filhos. E falavam que tinham endereço, que tinha foto, que sabia onde eles estudavam, como eles viviam. E realmente sabiam de tudo, porque a menina frequentou a nossa casa.  Saía com a gente, comia e bebia. Eles sabiam tudo. E você vai arriscar?
G1 — Como foi a primeira experiência sua?
Ana Lúcia
 — Foi horrível. Num primeiro momento, você sentada ali exposta no sofá, chega um homem que você nunca viu na vida, fala assim: “É essa”. Aí te pega, te leva lá pra dentro do quarto, tem relação sexual contigo e depois sai com você e paga. Você se sente uma mercadoria. Depois é exposta a outro traficante, a um policial, é exposta a isso tudo. Você não tem querer. O teu querer é o deles. É chato, é ruim, você chora, esperneia, mas não adianta. Você tenta fugir. Tentamos fugir várias vezes, mas não conseguimos.
Muitas meninas morreram lá. É uma máfia"
Ana Lúcia
G1 — Como?
Ana Lúcia
 — A gente tentava, porque a gente saía, né?! A gente não sabia que estava sendo seguida, estava sendo seguida por dois carros. Foi quando eles botaram o carro na frente e atrás, e “sai”, “sai”, “sai”, botaram a gente dentro do carro e levaram de volta pro abrigo. Então eles foram ameaçando a gente o tempo todo, que sumiam do país, que nossa família não ia mais saber da gente. E realmente isso acontece muito. Muitas meninas morreram lá, estão presas desde a minha época e nunca mais conseguiram sair do país. É uma máfia, uma máfia russa, uma máfia muito perigosa. Aí não tentamos mais fugir.
G1 — Mas a Kelly tentou?
Ana Lúcia
 — A Kelly achou o passaporte dela. Aí a primeira coisa que ela fez foi ir lá na Eliá falar. “Ana Lúcia, achei o meu passaporte. Agora a gente vai fugir e vai no consulado com meu passaporte”. Tava tudo certo. Aí fomos ao restaurante, na danceteria, foram muitas meninas lá. Só que ela deixou uma das meninas brasileiras, que foram na nossa frente, saber. Aí a menina entregou ela, disse que ela tinha achado o passaporte e que ia fugir comigo, que a gente ia ao consulado e que não ia mais voltar. Falou tudo.
G1 — A acharam a Kelly?
Ana Lúcia
 — Aí foram caçar ela. Aí acharam a gente, mas a gente não estava mais em Tel Aviv, estava em outra cidade. Por que eles acharam? Porque o pessoal que seguiu a gente avisou onde que nós estávamos. Foi quando pegaram ela, já era de manhã, pegaram ela, botaram dentro do carro e levaram ela. Aí a gente não soube mais dela. Pegaram a gente e na boate a Célia me chamou e perguntou onde a gente estava. Eu falei pra ela. Ela disse: “Pois é, porque a Kelly usou tanta droga, que ela morreu”. “Como ela morreu, se ela estava com a gente até agora?”. “Ah, ela morreu, acharam o corpo dela na rua, de overdose”. No outro dia, chegaram e falaram que a Kelly tava internada no hospital, que tinha achado o corpo dela na rua. A gente não podia falar com o Brasil, a Kelly no hospital, morta, praticamente. O coração batia, mas não tinha mais cérebro, né. Espancaram, bateram muito nela. E aplicaram uma heroína na veia e foi direto para o cérebro dela. E ali o cérebro morreu logo, né. O coração dela ainda batia, por isso levaram para o hospital. Enrolaram o corpo dela em um lençol com o passaporte, com passagem, com tudo. Jogaram ela no meio da rua. Assim eu soube depois que cheguei no Brasil.
G1 — E vocês conseguiram falar enfim com o Brasil?
Ana Lúcia — Conseguimos um celular e ligar para o Brasil e contamos pra mãe da Kelly tudo o que tinha acontecido. Ela entrou em desespero. Aí teve um dia, depois de três semanas, que a Célia me chamou com uma das meninas e contou pra mim que a Kelly tinha morrido. Eu me senti só. Eu falei: pronto, agora eu também vou morrer. Aí indicaram para a família da Kelly a doutora Cristina Leonardo (advogada). Foi quando começou toda a revolução. A doutora Cristina dizia que ia buscar a gente e eles não acreditavam. A Célia dizia assim: “Pode deixar, que eu vou hospedar você e o presidente do Brasil na minha casa”.
G1 — E como ficou a situação de vocês lá?
Ana Lúcia
 — O terror começou mais sobre a gente. Aquela vigilância total. A gente já não podia ir na farmácia, não podia comprar comida.
G1 — Como foi o resgate?
Ana Lúcia
 — Meio-dia, ela (Cristina Leonardo) falou que eles iam buscar a gente. Meio-dia certinho a polícia de Israel foi buscar a gente. Eles tomaram aquele susto, porque não era a polícia que estava acostumada a ir lá. Aí eu consegui trazer comigo oito meninas. As outras não vieram.
G1 — Por quê?
Ana Lúcia
 — Algumas não quiseram vir por medo e outras estavam na boate. Só vieram as que estavam na boate comigo. Aí o consulado resgatou a gente e nós ficamos sob a proteção de Israel mais um mês, porque havia julgamento e eles só haviam prendido o Russo. Aí teve julgamento e viemos pro Brasil.
G1 — Como foi a chegada ao Brasil?
Ana Lúcia
 — Quando chegamos no aeroporto do Brasil a Polícia Federal já estava esperando a gente, prestamos depoimento várias semanas. Ficaram guardando a gente, porque havia muita ameaça, os traficantes de Israel ligavam pra gente, botavam criança pra chorar, boneco pra chorar no telefone dizendo que era o que iam fazem com a gente, com nossos filhos. E realmente eles faziam. Em menos de uma semana  aqui eles botaram fogo na casa de uma menina de Niterói com todo mundo dentro, atropelaram uma no meio da rua. Por isso que ninguém fala, aquelas meninas de lá. Porque elas têm medo. Porque tudo o que eles falam que vão fazer eles fazem, eles acham, eles caçam. Eles são caçadores de prostitutas, de brasileiras. A preferência deles é o Brasil, pra traficar, pra escravizar. Nós éramos escravas deles. E vivíamos em cárcere privado, presas. Nós éramos prisioneiras.
O que a novela mostra é até luxo perto daquilo que a gente viveu"
Ana Lúcia
G1 — Quanto tempo vocês ficaram lá?
Ana Lúcia — Nós ficamos quatro meses. Três na boate e um sob a proteção de Israel, por causa dos depoimentos. Eles primeiro tinham que prender todo mundo. Mas depois disso a gente foi embora.
G1 — Foram três meses de inferno?
Ana Lúcia — 
Foram três meses de inferno, que a gente vivia pra eles. A gente vegetava. Tinha que fazer dinheiro. E fazia, porque as boates ficavam dia e noite lotadas.
G1 — Como funcionava?
Ana Lúcia — Tipo o que tem na novela. Tem o bar, tem a consumação, tem que levar o cliente pra consumir. Depois, ele já te escolheu, vai ter que ir pro quarto com ele. Ele te comprou naquele momento. Aí tem música, tem raiva, tem desespero, tem vários tipos de homens. Eu até brinco que o que a novela mostra é até luxo perto daquilo que a gente viveu. Perto do que a gente passou. Às vezes me perguntam na rua se aquilo da novela é verdade: é verdade, mas eu passei pior do que aquilo. Como uma mulher consegue ir para o quarto 20 vezes por dia pra fazer dinheiro pra eles? Eu nunca consegui.
G1 — Você chegou a ter que sair com 20 homens em um dia?
Ana Lúcia — Não, nunca consegui. Não dá. Mas tem meninas que conseguiam. Isso quando não traziam presidiário, e tinha que ficar o dia inteiro ali com aquele homem.
G1 — E vocês ficavam como?
Ana Lúcia — De calcinha, sutiã e salto alto. O dia todo. E bem maquiada, penteada, bem bonita, bem cheirosa.
G1 — Há muito desconfiança ainda?
Ana Lúcia — Muita gente ainda não acredita na história, não acredita que haja realmente tráfico de mulheres.
G1 — E no Brasil, como foram os desdobramentos?
Ana Lúcia — Quando nós chegamos no Brasil não houve investigação nenhuma. Depois que a doutora Cristina Leonardo provou que era verdade é que foram lá buscar a gente. Mas aqui nós não tivemos nenhum apoio, não tivemos nada. E hoje, graças a Deus, estou aí. Trabalho com quentinha.
G1 — E como foi a história com a novela?
Ana Lúcia — Foi uma coisa incrível. A minha irmã é cabeleireira e faz cabelo de uma moça da Globo. Aí ela falou pra minha irmã que a Glória ia escrever uma novela sobre o tráfico de mulheres. Aí minha irmã disse: “Poxa, minha irmã foi traficada”. Aí a moça falou: “Você tem que falar isso pra Glória (Perez, autora da novela)”. Aí ligou pra Glória, que entrou em contato comigo. Fomos na casa da Glória, conversamos bastante. Ela me perguntou se eu poderia falar como foi, como a gente viveu lá e se poderia ajudá-la. A gente ta sempre entrando em contato com a Glória, tá sempre colaborando. A Glória sempre me liga perguntando como foi determinada coisa. Às vezes eu falo: “Ih, caramba, isso fui eu que falei”. A Nanda, meu deu a maior vontade de chorar quando ela chegou e a gente... quando eu me deparei com aquilo... eu achei que não ia sair mais dali. Aquelas falas todas da Nanda, que não estava ali pra se prostituir, tudo aquilo eu passei pra Glória. Eu fico feliz, porque é uma forma de denunciar. Tudo isso foi verdade. Eu sou uma prova disso, passei por tudo aquilo que está sendo mostrado na novela. Eu sou um material vivo e ela se inspirou nisso. E também está sendo uma forma de denunciar, pra vir vivo, e não como a Kelly voltou.
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